A Igreja possui um calendário próprio. Para este calendário, existem momentos e datas especiais. Algumas, são datas bíblicas, outras são datas da história da denominação ou comunidade local. É o que se chama de Ano Litúrgico, Ano Cristão ou Ano Eclesiástico. Vamos procurar compreender o porquê deste calendário e conhecê-lo melhor.

Tem sido cada vez mais frequente cultos suprimirem elementos e momentos da liturgia Reformada e adaptado ao que chamam de nova realidade. Um destes momentos que tem sido suprimido é a confissão. Preocupa-me tal supressão por um simples motivo, apontado pelo Diretório de Culto da IPI do Brasil:

As definições dos conceitos litúrgicos do título podem ser caricatas, mas, em linhas gerais, temos que defini-los para que haja um norte no entendimento do que vamos expor aqui. Quero retomar o cenário descrito em “As roupas no nosso culto”, texto meu para esta coluna, publicado em maio de 2016: “Do que tenho conhecido, identifico três estilos litúrgicos que se refletem nas roupas usadas no culto. [...] No primeiro, teríamos um(a) pastor(a) usando toga com uma estola na cor litúrgica, o coral também usaria uma toga com um detalhe na cor litúrgica e os presbíteros, terno e gravata ou, em raros casos, uma toga simples. No segundo, o pastor estaria de terno e gravata, no caso de ser uma pastora, de tailleur; os presbíteros estariam de terno e gravata ou, em alguns casos, apenas de camisa e calça social; o coral, de traje social. No terceiro, o(a) pastor(a) estaria vestido(a) num estilo social-esportivo, os presbíteros e o coral da mesma forma”.

O hábito de cantar em louvor a Deus perpassa toda a narrativa bíblica. Poderia aqui apontar diversos textos nos quais homens e mulheres são descritos cantando. Jesus também cantava em louvor a Deus. Vemos no texto da última ceia que eles saem cantando para o Monte das Oliveiras. No contexto do culto, a música sempre se fez presente. O que vamos pontuar aqui são as características e a forma como as músicas devem, biblicamente, conduzir o povo a adorar a Deus.

Adoração e Louvor

A função da música é conduzir o povo a louvar e adorar. Quando olhamos para a Bíblia, vemos que toda canção é para louvor e adoração, na maioria da vezes, comunitários. Até mesmo em cânticos solos, como o de Maria ou o de Miriam, temos ali o caráter de exaltação e louvor a Deus e a indicação de que tais cânticos são para instruir o povo a reconhecer a grandeza de Deus.

Em nossas igrejas temos as mais diversas expressões musicais. Corais, conjuntos de louvor, cantores solos e instrumentistas solos. A música, independentemente de como é interpretada, deve levar o povo a adorar a Deus. Pode ser um solo de violão ou um canto coral. Não importa, o intuito deve ser sempre levar o povo diante do altar do Senhor para reconhecer que ele, e não o músico ou a música em si, é digno de louvor e adoração.

Comunitário

O caráter da música na igreja deve sempre ser comunitário. O povo precisa e deve participar. Quando o conjunto de louvor se reúne para ensaiar, qual o critério para a escolha das músicas? Muitas vezes os conjuntos escolhem músicas que a comunidade, por mais que conheça o cântico, não canta. O conjunto insiste, insiste, e o povo não canta, não se identifica com a música, embora a letra seja bíblica, seja uma boa composição e tenha ritmo agradável. Por que isso acontece? Porque a comunidade é quem se expressa em louvor e adoração. Por mais que haja a condução do conjunto e a orientação pastoral como responsável pela música na igreja, a comunidade se expressa sobre como ela quer louvar a Deus. O mesmo acontece com corais e demais conjuntos. Quem serve a Deus no ministério da música precisa estar atento à expressão da comunidade diante das canções entoadas. Lembrando o tópico anterior: tudo, absolutamente tudo, deve ser para conduzir o povo a adorar a Deus.

Diversidade

A diversidade musical da Igreja é sempre bem-vinda. Diversidade de estilos musicais, de instrumentos e de cânticos. O reverendo Bruno Bürki, no artigo sobre culto no contexto reformado, publicado no Manual de Ciência Litúrgica, Volume I (Editora Sinodal, EST, São Leopoldo, 2011), apresenta alguns exemplos de como a Igreja na Suíça vem renovando sua forma de louvar a Deus, contextualizando seus cânticos tradicionais e buscando novas expressões de louvor. Ele também destaca a renovação musical pela qual vêm passando as Igrejas Reformadas no continente africano:

“O que, devido a certas inibições, vem acontecendo de maneira tímida na Suíça, é realidade em algumas igrejas da África, mesmo as de confissão Reformada ou Presbiteriana. Principalmente os numerosos coros que participam de cada culto, juntando muitas cantoras e cantores, jovens e idosos, fazem com que a reunião da comunidade seja tomada de vibrante entusiasmo. A improvisação é um elemento importante. Música originalmente africana é mesclada, às vezes, com melodias europeias ou americanas. Com isso e graças a uma considerável aculturação no contexto africano, o culto adquire um caráter espontâneo e festivo que é surpreendente na Comunhão Reformada”.

O que queremos mostrar com o exemplo apontado por Bürki é que a Igreja tem a possibilidade de se expressar musicalmente de maneira diversa, fazendo com que a comunidade seja expressão viva do louvor a Deus, revelado em músicas que falam a verdade do Evangelho com o jeito da comunidade.

As músicas no nosso culto devem levar o povo a adorar a Deus sempre, sem exceção. Se qualquer canção faz olhar mais para a qualidade do instrumentista, para a beleza da voz que canta ou a técnica musical, tome cuidado. Não quero dizer com isso que os músicos não devem se esmerar em tocar o seu melhor para Deus, mas sim que junto à técnica, há o caráter do músico que deve ser moldado ao caráter de Jesus.

As músicas em nosso culto devem ser expressão da realidade comunitária, contextualizadas musicalmente e conduzindo o povo a adorar em espírito, verdade e conectados à realidade de sua comunidade. As músicas em nosso culto devem ser diversas em seus ritmos e formas, para que haja integração social e alcancem as pessoas, conduzindo-as a louvar a Deus com as mais diversas expressões de louvor. Dediquemo-nos a produzir cada vez mais, com criatividade e fidelidade bíblica, as canções com que nossas comunidades louvam.

Rev. Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP

 

O Cantai Todos os Povos é o hinário oficial da IPI do Brasil. Estamos na reta final do processo de publicação da edição revisada e em breve o teremos em mãos para uso em nossas igrejas. Pensando nisso, listo aqui 8 razões pelas quais a sua igreja deve adotar o Cantai Todos os Povos. Não se trata de deixar de lado tudo o que se canta hoje, mas sim de acrescentar à vida da igreja a riqueza de nosso hinário.

Quais características devem compor o caráter de quem se dispõe a servir por meio da música na igreja? Todo músico precisa ter consciência que sua vida e testemunho são parte integrante de seu ofício na igreja. Não há como desassociar a vida e a função de músico na Igreja. Tomando por base o texto de Efésios 4.1-3, extrairemos algumas características que todo cristão, inclusive os músicos, devem cultivar em seu caráter.

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