Liderança e sabedoria

Evangelização
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Se formos honestos conosco mesmo, temos que admitir que nenhum de nós que desempenhamos uma função de liderança, seja ela de menor ou maior expressão, não temos a intenção de desagradar a Deus, nosso criador, agindo de forma que ele detesta ou desaprova, muito menos aquilo que Ele não tolera, transformando nosso ambiente de trabalho em um lugar hostil, onde não há paz e nem tranquilidade. 

Dias atrás, lendo o livro de Provérbios, tive que parar e pensar nas palavras do grande sábio, o rei Salomão. Deparei-me com alguns conselhos úteis. Depois de meditar profundamente, tive que admitir que, de alguma forma, nós, líderes cristãos, pastores ou leigos, já tropeçamos e caímos na armadilha de nosso próprio comportamento mais de uma vez. Caímos por ignorância ou por sermos vítimas de nossos próprios hábitos.

Creio que negar este fato, dizendo que não sucumbimos, piora nossa situação como líderes. Então, só nos resta reconhecer nossa fraqueza e pedir perdão a Deus. Mas precisamos tomar a iniciativa e ir além.  Devemos orar diariamente pedindo ajuda do Espírito Santo para vencer nossos velhos hábitos e corrigir nosso comportamento. Somente desta forma desempenharemos nosso trabalho como líderes, sem sofrermos as consequências pelos nossos erros. Agindo assim, conheceremos a vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável.

Convido você a ler texto de Provérbio 6.16-19 cuidadosamente e repetir a leitura observando cada expressão como um conselho a ser observado: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina; olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que espalha mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.”

Contou? As seis primeiras coisas o velho sábio diz que o Senhor aborrece ou detesta. Percebe como é fácil serem ignoradas? Ou como é fácil agirmos displicentemente? Precisamos perguntar a nós mesmos: o que será que nos leva a falhar em alguma delas? Ao lê-las, precisamos questionar nossas motivações. Talvez este seja um bom momento de parar, refletir e tomar nota a fim de que nos ajude a rever nosso comportamento como líderes cristãos, e tomar a decisão de observar este conselho em nosso dia a dia.  Olhe para sua vida como líder, tente lembrar alguma situação em que, de alguma forma, você tropeçou em algum desses alertas.

No entanto, ainda não acabou. As seis primeiras coisas o texto afirma que o Senhor aborrece ou detesta. Mas ainda falta observar a sétima. Vamos olhá-la separadamente, porque, segundo o sábio, este Deus não apenas a detesta, mas Ele a abomina, ou simplesmente não tolera.  O Senhor abomina aquele que semeia contendas entre irmãos. Em outras palavras, aquele que cria confusão entre irmãos. Eu tomo a liberdade de acrescentar algo para incluir aqueles que provocam divisão ou discórdia na equipe de trabalho.

Certamente você que é líder já viu isto acontecer antes! Conhecemos pessoas que são mestres em criar confusão. O grupo está caminhando bem; há paz; todos estão engajados; mas, de repente, chega alguém e, em pouco tempo, há confusão para todos os lados. Existem pessoas que são especialistas neste tipo de coisa. Elas parecem gostar de barulho, amam assistir o circo pegar fogo.

Só nos resta uma coisa: estampar essas coisas em letras grandes, em um lugar visível e, todos os dias, chegando ao local de trabalho, lê-las cuidadosamente, orar e pedir misericórdia do Senhor, que é rico em perdoar, e ficar alerta às nossas ações, tentando mudar nossos hábitos diariamente. É preciso checar nossas motivações constantemente para saber o que está de fato por trás de cada ação ou decisão tomada. Se conseguirmos pautar nossa liderança por esses conselhos, gozaremos de paz e desfrutaremos de um ambiente de trabalho sadio. Se fizermos o contrário, pagaremos um preço pelos nossos atos. Não há como nos esquivarmos porque fomos alertados com antecedência. Somos chamados para pregar a paz e aquele que nos chama promete paz em nossa vida. Por este motivo, precisamos olhar para a palavra de Deus e tê-la como princípio normativo em nosso viver diário. 

por Rev. José Carlos Pezini, consultor da Secretaria de Evangelização da IPIB.