Por que evangelizar aproveitando o contexto Olímpico...

Evangelização
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A realidade missional no mundo atual possui muitas facetas, contradições, desafios e barreiras a serem transpostas na árdua, mas maravilhosa tarefa de alcançar o próximo com a mensagem do amor de Deus.

Vivemos em um mundo onde o imediatismo da modernidade tem alcançado nossos arraiais eclesiais e, consequentemente, atingido os campos missionários. Diante dessas dificuldades precisamos aproveitar as “janelas” de oportunidades que nos são abertas.

Valer-se do contexto esportivo para sinalizar o reino de Deus não é algo novo e tem suas raízes nos tempos bíblicos. Estudiosos da Bíblia nos mostram que no capítulo 18 de Atos, quando Paulo se fixou em Corinto por 18 meses com Priscila e Áquila, dentre outras situações, estavam acontecendo os jogos Ístmicos, a maior competição esportiva daqueles tempos.

Este texto nos traz alguns ensinamentos sobre aproveitar as oportunidades. A primeira delas é que do mesmo modo como Paulo, chegou nossa vez!! A maior e mais importante disputa esportiva acontecerá no quintal de nossa casa e precisamos estar preparados para utilizá-la em nosso favor, a fim de que o Reino de Deus seja sinalizado.

É necessário que saiamos de onde estamos plantados. Podemos ver isso no versículo primeiro “E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto”. (Atos 18:1)

Precisamos nos mover!! Muitas vezes nos acostumamos com o que nos cerca e temos dificuldade em dar o primeiro passo. Bernardinho, em seu livro “Transformando suor em ouro”, cita como ‘zona de conforto’ a falta de motivação quando julgamos já termos ganhado tudo, ou nos julgamos melhores do que o outro, ou ainda, quando pensamos ter a verdade absoluta sobre diversas situações.

E isso tem acontecido em nossas igrejas. Temos a palavra e a verdade que acreditamos ser a verdade absoluta de Cristo e muitas vezes não temos nos sentido motivados a compartilhar essa Boa Nova que deveria nos mover.

O apóstolo Paulo estava motivado a ir para Corinto aproveitar alguns contextos existentes. E podemos entender essa motivação estudando alguns aspectos históricos e sociais da cidade naquela época. Corinto era uma das cidades mais importantes do mundo antigo. Nela estava localizado um grande porto, gerando assim um dos comércios mais lucrativos da época. Pessoas de diversos lugares transitavam diariamente por Corinto, assim, podemos imaginar que Paulo decidiu estabelecer-se ali, pois teoricamente o evangelho seria levado a mais pessoas e exportado a outras nações. Acreditamos que o mesmo acontecerá nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Porém, como toda grande cidade, Corinto também possuía muitos problemas como a prostituição (ali havia a estátua da deusa Atenas), o homossexualismo (por conta do deus Apolo), o sincretismo reinava em suas mais diversas formas de expressão e as pessoas eram inclinadas às coisas da carne. A expressão “corintianizar” significa: sexualmente imoral.

Penso se nesse momento em nosso país não estamos passando por um momento semelhante ao da cidade de Corinto. Somos um país em desenvolvimento e com uma importância internacional em diversas áreas, no entanto, também temos problemas semelhantes aos da cidade de Corinto. Será que não estamos “brasilizando” também?

Podemos perceber que o apóstolo Paulo era um homem de visão e um estrategista em algumas de suas atitudes. O fato de ter se juntado a Áquila e Priscila, que tinham o mesmo ofício que ele, demonstra isso. Diante de um Brasil corrompido, assim como a cidade de Corinto, precisamos nos juntar com aqueles que possuem os mesmos objetivos, que procuram compartilhar aquilo que Deus tem nos oferecido, por isso, como igreja é preciso formar parcerias para disseminar a Boa Nova do Evangelho.

Vemos nos versículos sete e oito que Paulo saiu da sinagoga “e, saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Justo, que servia a Deus, e cuja casa estava junto da sinagoga.
E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados’’. (Atos 18:7-8) Talvez soe apenas como discurso religioso, mas nós também precisamos sair de nossa sinagoga para que a igreja prevaleça. Precisamos ir às ruas e cruzar fronteiras.

Quando a Bíblia nos fala “pois tenho muito povo nessa cidade” (Atos 18:10), ela não está se referindo aos crentes, mas sim àqueles que Deus já havia separado para servi-lo, àqueles que Ele mesmo entregaria a Paulo em conversão. Hoje passamos por um processo semelhante. Temos o conhecimento de que Deus está conosco, como vemos no verso dez “Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal ...” (Atos 18:10). Assim como Deus era com Paulo, hoje ainda é conosco.

Cremos que Ele mesmo já entregou aqueles que o servirão em nossas mãos, porém precisamos por os pés pra fora de nossa sinagoga e buscá-los. Que possamos aproveitar do mesmo privilégio que o apóstolo Paulo teve em Corinto e viver o evangelho durante o período dos Jogos Olímpicos, fortalecendo e buscando aqueles que Deus tem nessa cidade.

Deus nos abençoe.

Jhonatan Nunes