Direitos humanos em pauta

Secretaria de Diaconia
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Com a queda, as relações humanas foram marcadas pelo pecado, como está escrito no livro de Gêneses, no capítulo três. A narrativa revela que a relação do homem com a mulher não seria mais igualitária, virando uma “disputa de braços”, onde o macho assumiria o comando e a fêmea deveria subordinar-se ao seu senhorio. É triste contemplarmos a história da humanidade e percebermos que aqueles que nasceram para serem parceiros neste mudo, acabaram por viver uma “infinda” luta por poder.

A luta de gêneros e a ambição humana fizeram com que as relações familiares virassem alvo de tantos conflitos, ao ponto de pais e filhos não se entenderem e irmãos pelejarem contra irmãos. As pessoas são desagregadas e tudo fica frágil. A ideia tribal de família é substituída por um modelo restrito, nuclear. Fato este que se comprova ao observarmos a sociedade contemporânea onde inúmeros indivíduos optaram por viver só e socializarem-se com animais de estimação, numa tentativa frustrada de evitar dor e sofrimento nas relações interpessoais.

A cada milênio a noção de família é formatada para o mínimo, até que não consigamos mais nos perceber como parte uns dos outros e sejamos encapsulados no “eu”. Os danos desta modalidade egocentrada de sociedade são visíveis. Podemos notar pelo aumento da violência, da indiferença, pela falta de respeito que nos causa estranheza. Vivemos um tempo difícil onde a intolerância atingiu o seu ápice e a maioria das pessoas orgulha-se dos seus vícios e não procuram as virtudes. 

Uma geração perversa sucede a outra e todas são “destruídas” pela falta de amor, solidariedade, compaixão e fé. O filósofo inglês Thomas Hobbes, para retratar a dureza nas relações humanas e denunciar a ação predatória entre semelhantes, popularizou a célebre frase do dramaturgo romano Tito Mácio Plauto, que diz: Homo hominilúpus (O homem é o lobo do homem). 

Mas não foi apenas a relação entre os homens que “adoeceu”, o trabalho passou a ser ferramenta de opressão, em vez de ser privilégio. Deus fez o homem para o louvor da Sua glória e uma das manifestações de louvor é o serviço, contudo, a raiz do mal que brotou no coração da humanidade afastou o homem de um trabalho que dignifica e o colocou na roda viva das conquistas materiais. 

A natureza também sofre os impactos de ter como “mordomo da criação” um ser que está enfermo pela iniquidade. O homem, coroa da criação, virou um depredador, pondo fim a milênios de graça e paz. Tudo que havia sido criado com beleza é atacado com fúria. É triste constatar que a humanidade tornou-se pastos verdejantes e vales de sombra e morte. Mas com a vinda do Cristo de Deus, a promessa de resgate do modelo original é realizada e podemos nos conectar, não apenas com o Criador, mas com tudo que foi criado por Ele. 

A partir da ressurreição de Jesus, os seres humanos voltam a ter acesso ao coração do Pai e reconectados com Deus podem desfrutar de um modelo de vida saudável e agradável ao Senhor, onde “o homem não precisa ser lobo do homem”. Jesus através de sua vida (encarnação), morte e ressurreição, permitiu a humanidade a possibilidade de fazer parte da grande família de Deus e juntos alicerçarmos pilares de uma nova estrutura de socialização. 

A nova humanidade, revelada em Jesus, nos convida para refletir sobre nossas relações sociais. Pensando nisso, a Secretaria Nacional de Diaconiada IPI do Brasil trará uma série de textos jurídicos que falam dos Direitos Humanos, numa tentativa de aproximar as pessoas do projeto de vida restaurada e de relações interpessoais que possam refletir o amor que o Criador revelou na cruz.

Reva. Ana Isaura Lima de Souza
Secretária Nacional de Diaconia