Mulheres de Lutas

Coordenadoria Nacional de Adultos
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Quando se fala de mulher logo vem na mente, de muitos homens, que elas são o sexo frágil, mulheres de barro, como diz uma música popular de Erasmo Carlos. Os fatos mostram que não é bem assim e revelam que são mulheres de lutas, como as mulheres que marcharam em Brasília contra os mais de duzentos casos registrados de estupros nos primeiros meses do ano de 2016,  um media de dois casos por dia.

Mulheres que marcharam pelo precário sistema de transporte público, contra os abusos que acontecem dentro deles (estima-se que 20 mil mulheres são estupradas por anos). A sociedade ainda acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia mas um abraço. Jamais essa sociedade vai tirar um dez se continuar a tratar a mulher como mero pano de fundo em programas de televisão ou utilizando-as para vender cerveja como mero objeto de prazer e consumo dos homens. Homens fortes que agem assim jamais chegarão aos pés de uma mulher. Aliás, ainda existe quem dividida as mulheres em santas e (...),  acusando-as de terem procurado e provocado a violência pela forma como se comportam ou como se vestem. Estranho que aqueles que contribuem para a desvalorização da mulher, que exploram os seus corpos para o prazer masculino, se escandalizem  quando as veem de seios de fora amamentando seus filhos e filhas em público. As mulheres foram durante séculos escravizadas e estupradas pelos seus senhores. Mulheres brancas, negras, domésticas, sem terra, sem teto e sem amor.

A sociedade e até mesmo a igreja tem contribuído para esta violência doméstica, para este abuso, quando ensinam a mulher desde nova a sentir culpa pela expressão de sua sexualidade, pelas roupas que usa. Muitas são responsabilizadas pela possibilidade de sofrerem qualquer tipo de abuso psicológico.  Estas mulheres fortes das quais os homens são carente e, muitas vezes, dependente já foram chamadas de vários nomes por usarem roupas curtas, por transarem antes do casamento, ou simplesmente dizer "não" a um homem. Já foram chamadas de ..., porque levantaram o tom de voz em uma discussão. Já foram chamadas de ...,  porque andam sozinhas à noite e foram estupradas. Já foram chamadas de ..., porque sofreram estupro enquanto estavam inconscientes em consultórios. Já foram e são chamadas de... apenas porque são mulheres.

São todas santas, todas fortes e são todas livres de rótulos, estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina. “Eu que faço parte da vida de uma delas  sei que a força está com elas” (Erasmo Carlos). Assim defendemos todas as mulheres contra qualquer forma de violência seja psicológica, por palavras, por gestos e também aquelas que tiveram os seus direitos violentados como mães, filhas ou avós. Deus por intermédio de uma mulher nós deu o seu único filho para salvar a todos, mulheres e homens.

São muitas as histórias de mulheres. Mulheres de guerra, mulheres de  paz, mulheres que foram assassinadas e queimadas vivas pelo clero. Mulheres fortes como Anita Garibaldi e Maria Quitéria. Também a preciosa história de Rute, que com o seu trabalho, amor e dedicação por sua sogra foi reconhecida, inclusive Boaz, o seu marido, declarou que toda a cidade sabia que era mulher virtuosa.

Parabéns para você mulher, que anonimamente influencia o mundo de alguma forma impondo o respeito e educando cidadãos melhores.

 

Presb. Odair Martins, Coordenador Nacional de Adultos