Declaração da AIPRAL pelo Dia Internacional da Mulher

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Por ocasião do início da Quaresma onde somos convidados à reflexão e ação, lembrando o amor e a misericordia de Deus por toda a criação e a entrega da vida de Jesus, o Messias, para dar vida em abundancia.

 

Da comemoração dos 500 anos da Reforma que nos brinda com uma teología centrada na Palabra, resgatando o principio de igualdade entre mulheres e homens e criados à sua imagen e semelhança.

Ao completar 42 anos da declaração de 8 de março como Dia Internacional da mulher, por parte da ONU.

A partir do Departamento de Mulheres da AIPRAL declaramos que:

  1. O Dia Internacional da Mulher foi instituido a fim de ser um espaço de ratificação do principio de igualdade entre mulheres e homens, fortalecendo as primeiras para a reivindicação de seus direitos básicos, assim como um momento de comemoração e celebração de suas lutas e êxitos alcançados, mediante a participação como protagonista na busca da Igualdade e a Paz com Justiça Social. Porém, não tem sido suficiente para combater a desigualdade que impera, impedindo, assim, a inclusão e o pluralismo. Damos testemunho de como, a cada ano, milhares de mulheres se concentram nas praças e marcham pelas ruas no mundo inteiro: para exigir o respeito pelos direitos adquiridos e demandar aqueles que ainda lhes são negados, para lutar contra leis injustas que consolidam a discriminação, que negam o princípiuo da equidade de gênero, a igualdade de oportunidades na educação, saúde, emprego, representação política, dentre outros.
  2. Apesar dos avanços no reconhecimento da equidade de gênero como essencial para o desenvolvimento da sustentabilidade social para um mundo melhor, igual e justo. Apesar de concebido como um direito humano essencial para construir a paz mundial e consolidar a prosperidade econômica e ambiental, observamos que muitas situações de injustiça permanecem e outras tem se acentuado, tais como a discriminação salarial, o assédio moral nos locais de trabalho e espaços públicos, a dificuldade de acesso e permanência na educação formal, a violência privada nas relações íntimas, a exploração sexual e a associação para o tráfico de meninas e mulheres, os femicídios. Todavia as mulheres seguem sendo responsáveis exclusivas do sustento e cuidado de suas casas e famílias, filhas e filhos, em condições de sujeição, desigualdade, sem reconhecimento.
  3. Os organismos oficiais continuam escondendo as várias situações e problemas que as mulheres vivem, tais como aqueles em relação ao desenvolvimento socioeconomico, étnico, idade, deficiências, entre outras.
  4. A partir do âmbito religioso continua ainda a institucionalização da desigualdade, quando se enfatiza a sujeição da mulher ao homem, a negação da sua vocação sacerdotal, sua condição sexo frágil, induzidora do pecado, entre outros.

Ratificamos que:

  1. A igualdade de gênero atravessa todos os aspectos da vida, por isso temos que redobrar os nossos esforços para erradicar práticas e discursos arraigados que discriminam negativamente a mulher e difamam a defesa e promoção dos seus direitos inerentes. Devemos incentivar nas famílias e na sociedade em geral, o respeito pelas mulheres para diminuir o impacto que tem sobre elas, a violência generalizada, violência baseada no género e violência sexual.
  2. São muitos os desafios para alcançar uma consciência de identidade de gênero e autonomia das mulheres, portanto, se faz necessário a participação dos homens na condição de complementariedade. Devemos gerar espaços que permitam a reflexão e considerem novas oportunidades para o futuro, para capacitar as novas gerações de mulheres
  3. Devemos ser comunidades inclusivas que acompanham pastoralmente a quem sofre e estão feridos pela violência, intolerância e falta de justiça, recebendo uns aos outros como também Cristo nos recebeu (Romanos 15: 7)
  4. É necessário continuar a exigir que os países gerem políticas e leis baseadas na inclusão e igualdade de gênero, reconhecendo o papel dos povos indígenas e populações afrodescendentes, que revelam as desigualdades marcantes em relação às mulheres em termos de acesso a oportunidades, exercício dos direitos e reconhecimento político e cultural, bem como todos os tipos de estigma e discriminação.
  5. Devem retomar as propostas da Plataforma de Pequin onde os países participantes se comprometeram em atingir os objetivos da igualdade de gênero, desenvolvimento e paz, o combate à pobreza, educação, saúde, equilíbrio no poder e tomada de decisões, infância, entre outros.
  6. É necessário seguir refletindo bíblica e teológica sobre a concepção de gênero e as novas masculinidades, em todas as áreas das Comunidades de Fé. Compreendendo que em Cristo, mulheres e homens, somos todos iguais diante de Deus. (Gálatas 3:28)

Submetido e aprovado pelo Comitê Executivo da AIPRAL em 7 de março de 2017.