Pastoral sobre aborto

PASTORAL SOBRE ABORTO

Este documento tem como objetivo esclarecer a posição da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, baseada em suas crenças e ensinamentos cristãos, abordando aspectos teológicos, éticos e sociais relacionados ao tema.

As Escrituras Sagradas são a pedra angular da fé e prática da Igreja, orientando-nos em questões sociais, espirituais e éticas. Elas são a fonte primária para discernir a vontade de Deus em relação à sacralidade da vida humana. 

No livro de Gênesis, onde os atos criativos de Deus são descritos, Ele declara cada etapa da criação como “boa” e, ao final, “muito boa”.

Esta passagem sublinha a qualidade intrínseca e a sacralidade da vida como um presente divino, reiterando a importância de cada existência. Reafirmamos assim a dignidade da criação.  

A teologia Reformada, que guia nossa fé, coloca ênfase especial na Soberania de Deus sobre toda a criação, incluindo a vida humana.

A valorização da vida é vista como parte integral da criação, sob a Realeza de Cristo e para a Glória de Deus.

A Teologia Reformada proclama a esperança na restauração futura de Deus e inspirada por um amor profundo pela vida em todas as suas formas.

“…Sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme…” (Rm. 8:22a), e nós como protagonistas do Reino de Deus também gememos, proclamando a esperança.

Portanto, valorizar a vida e o direito à vida é um bem comum que glorifica o Criador.

Considerando estes fatos, declaramos:

Que a Igreja valoriza a vida, tanto da mãe quanto do feto, mas se posiciona firmemente contra o aborto como solução para problemas sociais ou como método de planejamento familiar, excetuando o que está preceituado no ordenamento jurídico pátrio. 

Já há evidências de que em países onde o aborto é legalizado, os motivos são na maioria dos casos motivados por razões sociais, não relacionadas diretamente à saúde da mulher.

Em um mundo repleto de incertezas, a Igreja busca guiar suas decisões pelas verdades imutáveis da Palavra de Deus, procurando sabedoria e discernimento espiritual em cada passo.

A Igreja cristã refuta a noção de “meu corpo, minhas regras” como uma tentativa de substituir a autoridade do Criador, afirmando que a Palavra de Deus prevalece sobre as opiniões e raciocínios humanos.

Como afirmou Martinho Lutero: “Minha consciência é cativa da Palavra de Deus”.

Reconhecendo o dom da vida, a Igreja enfatiza que escolhas significativas, especialmente aquelas relacionadas à concepção e ao direito de viver, devem ser feitas com responsabilidade e consciência prévia. A decisão precisa ser tomada, mas antes da concepção.

Defender a vida é um ato de resistência contra a indiferença e um compromisso com os mais vulneráveis.

A Igreja, cativa da Palavra de Deus, vê a afirmação da vida como uma expressão de liberdade espiritual. Finalmente, é essencial compreender os principais argumentos e princípios envolvidos nesta perspectiva: A Igreja, vê o aborto não apenas como uma questão moral, mas também como um desafio teológico. Esta visão é baseada na crença de que a vida é sagrada desde a concepção. A rejeição do aborto é sustentada por nós por acreditarmos e enfatizamos a dignidade da vida humana.

Esta abordagem não é apenas uma resposta aos dilemas éticos, mas também uma resistência teológica e pastoral àquilo que é visto como uma crueldade do mundo. Defendemos o direito à vida como um ato de fé e um compromisso com os ensinamentos bíblicos. O posicionamento contrário ao aborto é por nós apresentado como uma forma de solidariedade com a vida. Esta perspectiva é enraizada na crença de que todos os seres humanos, incluindo os não nascidos, têm um valor inerente e são dignos de proteção.

A Igreja, neste contexto, assume um papel de guardiã da vida, defendendo os mais vulneráveis e indefesos. Este compromisso com a vida é uma extensão do amor e da compaixão, refletindo uma profunda adoração ao Criador e um respeito pela vida que Ele criou. Lembremos sempre das palavras de João 1:4: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens”.

Que essa luz continue a guiar nossos corações e mentes na proteção e promoção da vida, para a glória de Deus.